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Vacina a partir de células-tronco barra expansão do câncer

publicado em 23 de fevereiro de 2018

Uma vacina feita com células-tronco derivadas do próprio paciente pode se tornar mais uma poderosa arma dos médicos na luta contra o câncer. Experimento realizado por cientistas da Alemanha, Coreia do Sul e Holanda na Universidade de Stanford, nos EUA, com camundongos revelou que a técnica conseguiu barrar ou frear o desenvolvimento de tumores de mama, pulmão e pele nos animais, numa chamada “prova de conceito”, que mostrou seu potencial para o tratamento e o controle da doença no futuro.

Células-tronco são capazes de se transformar em células de qualquer tecido do corpo e, para isso, se reproduzem muito rápido. Essa característica é compartilhada pelas células cancerosas, cuja reprodução descontrolada forma os tumores sólidos. Assim, umas e outras também apresentam em sua superfície estruturas moleculares semelhantes, que podem provocar uma reação do sistema imunológico, conhecidas como “antígenos”.

E foi justamente esse atributo que os cientistas liderados por Joseph C. Wu exploraram na vacina para “ensinar” o sistema imunológico a atacar as células cancerosas. Para tanto, eles primeiro coletaram células adultas, isto é, já diferenciadas, dos animais e as “forçaram” a regredir ao estágio de células-tronco similar ao de embriões, chamadas “células-tronco de pluripotência induzida” (iPSC, na sigla em inglês). Depois, os pesquisadores “desativaram” essas células com radiação, impedindo que começassem a se reproduzir e se tornassem elas próprias um “câncer”, para, por fim, injetá-las nos animais.

Ao todo, 75 camundongos receberam versões da vacina com as células-tronco de pluripotência induzida no experimento.

Após quatro semanas, 70% deles exterminaram células tumorais de câncer de mama introduzidas em seus organismos, enquanto os 30% restantes desenvolveram tumores significativamente menores que os observados nos animais do grupo de controle, que não receberam a vacina.

Posteriormente, os cientistas validaram o mesmo processo em novos experimentos com células de câncer de pulmão e pele.

Obstáculos. Segundo os pesquisadores, o uso das células-tronco permitiu superar um dos principais obstáculos das imunoterapias contra o câncer: o número limitado de antígenos que pode ser “apresentado” ao sistema imunológico ao mesmo tempo de modo que ele reaja e passe a atacar as células tumorais. Nos experimentos, também testaram o uso conjugado na vacina de parte do DNA de bactérias conhecida como CpG, já declarada segura para uso humano em ensaios clínicos anteriores, para reforçar a reação do sistema imunológico na luta contra o câncer.

“Apresentamos ao sistema imunológico um maior número de antígenos tumorais encontrados nas iPSCs, o que faz nossa abordagem menos suscetível à evasão do ataque imunológico pelas células cancerosas”, resume Wu, também principal autor de artigo sobre a experiência, publicado na edição da semana passada do periódico científico “Cell Stem Cell”.

Ultraprocessados aumentam riscos

Paris, França. Um estudo científico realizado na França com 105 mil pessoas vinculou o consumo de alimentos ultraprocessados – como refrigerantes e cereais açucarados – ao risco de câncer. Batizada de NutriNet-Santé, a pesquisa é baseada em questionários preenchidos na internet entre 2009 e 2017 por participantes com idade média de 43 anos.

O estudo, publicado na revista médica “British Medical Journal”, concluiu que “o consumo de alimentos ultraprocessados está associado a um risco mais elevado de câncer” em geral (aumento de 6% a 18%) e de câncer de mama (de 2% a 22%).

Nesse grupo, os cientistas constataram 2.228 casos de câncer, incluindo 108 fatais e 739 especificamente de mama.

Fonte: O Tempo