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Mulher com câncer luta por tratamento e criação do filho

publicado em 11 de janeiro de 2016

Mesmo com tratamento da mãe, João Gabriel nasceu saudável. Foto: Marcus Mesquita/MidiaNews

Mesmo com tratamento da mãe, João Gabriel nasceu saudável. Foto: Marcus Mesquita/MidiaNews

A alegria e o otimismo da vendedora Leidiane Pereira, de 23 anos, em nada lembram os fatos que aconteceram há pouco mais de um ano em sua vida. Sorridente e confiante, a moça considera o filho, de dois meses, o maior símbolo de sua recente batalha.

Cerca de quinze dias após ter descoberto a gravidez do filho mais novo, no terceiro mês de gestação, Leidiane foi diagnosticada com um câncer de mama.

A jovem ainda foi abandonada pelo ex-marido, que saiu de casa depois que ela realizou uma cirurgia de retirada do seio direito.

Grávida, em tratamento contra o câncer, abandonada pelo marido e sem condições financeiras, a moça teve que recorrer a doações de itens para o filho que iria nascer e auxílios, para custear exames para acompanhamento médico.

O bebê de Leidiane, João Miguel, nasceu em 14 de outubro, com 38 semanas de gestação, no Hospital Geral Universitário (HGU), na Capital.

Em razão das dificuldades da gestação, que foi considerada de risco, o parto foi cesárea.

As adversidades que teve que enfrentar nos últimos tempos não foram motivos para tirar a alegria da vendedora.

Em meio aos relatos sobre sua vida, ela sorri e mostra que não se deixa abater pelas dificuldades.

“Mesmo com tudo o que passei, é muito difícil que eu fique triste. Se Deus quis que eu passasse por tudo isso, não é para eu descontar nas pessoas. Então, sou feliz do jeito que estou”, disse.

Ela exerceu o serviço de vendedora durante cinco anos, mas em razão da doença, está afastada de suas funções.

A jovem passa boa parte do tempo cuidando dos filhos. Ela também é mãe da garota Ana Júlia, de seis anos, filha do seu primeiro casamento.

Depois da “fase ruim”, como faz questão de enfatizar, Leidiane também encontra tempo para namorar.

Ela começou um relacionamento há um mês com um administrador de empresas, que foi uma das pessoas que ajudaram a jovem durante a gravidez.

“Ele diz que entrou na minha vida para me ajudar, por causa da minha situação, sem nenhum interesse. Mas ele disse que eu fui o conquistando e começamos a namorar”.

“Eu acredito que ele me ama de verdade, porque pra querer uma mulher doente, careca e com filho, só mesmo gostando de verdade”, completou.

Tratamento

A descoberta do câncer ocorreu após Leidiane ir ao médico para saber se, mesmo estando grávida, deveria continuar tomando medicamentos para tratar um cisto que possuía na mama.

Leidiane

Leidiane, o filho João Miguel, de dois meses, e a filha Ana Júlia, de seis anos. Foto: Marcus Mesquita/MidiaNews

O especialista solicitou que ela fizesse uma biópsia nas mamas e descobriu que a jovem estava com câncer no seio direito.

O médico pediu, então, para a jovem passar por um procedimento cirúrgico de mastectomia, para retirar a mama direita, para que a doença não se espalhasse pelo organismo da moça.

Depois da cirurgia, a jovem deu inicio a sessões de quimioterapia. O procedimento foi iniciado no terceiro mês de gestação e suspenso durante o último mês de gravidez e nas primeiras semanas depois do parto.

Algumas semanas depois do nascimento do filho, a jovem deu continuidade ao tratamento contra o câncer de mama, no Hospital de Câncer de Mato Grosso. Antes de dar à luz, ela havia feito três sessões de quimioterapia. Após o parto, ela retomou as sessões.

“Já fiz três sessões de quimioterapia depois do nascimento do Miguel. Farei outra em janeiro e a última em 10 de fevereiro. Fico em contagem regressiva pra terminar logo”, contou.

Quando concluir as oito sessões de quimioterapia, a jovem irá fazer exames para que os médicos possam identificar como está a situação do câncer. Logo em seguida, será iniciada uma nova etapa, a da radioterapia.

“A médica disse que ainda terei uma longa jornada, pois ainda terei que fazer radioterapia e outros procedimentos. Mas ao menos a fase da quimioterapia, a mais dolorida, concluirei no mês que vem”, explicou.

Segundo Leidiane, a etapa da radioterapia deve ser concluída ainda neste ano. O tratamento contra o câncer, porém, só deverá terminar daqui a cinco anos.

“Eu ainda terei que fazer acompanhamento constante, para verificar como está o meu organismo. Estou orando para que não dê metástase, pois esse câncer que tenho pode se espalhar por outras regiões do corpo”, relatou.

João Miguel

Mesmo com todos os procedimentos químicos enfrentados pela mãe, durante a gestação, o garoto João Miguel não apresenta problemas de saúde. Leidiane acredita que o caso seja um milagre.

“Os médicos esperavam que ele nascesse com algum problema e fosse pra UTI, mas nem gripe ele tem. Eu brinco que o meu tratamento contra o câncer foi tão bom pra ele que “matou” toda gripe e qualquer outra doença que ele pudesse ter”, comentou.

A tranquilidade do cotidiano de João Miguel, com quase três meses de vida, é um dos pontos que a mãe do garoto gosta de ressaltar.

“Às vezes eu chego abatida da quimioterapia, mas não desgrudo dele. Em dias assim, ele me deixa dormir, sem chorar. Ele é muito bonzinho, só pensa em comer e dormir”, pontuou.

Os dias que sucedem as sessões de quimioterapia são os mais difíceis para a jovem. Ela disse que costuma ficar fraca e indisposta.

“Nos três primeiros dias, fico um pouco ruim, então acabo encontrando dificuldades para andar e cuidar do meu filho. É muito triste não poder dar atenção a ele”, lamentou.

Leidiane

Vendedora planeja terminar o tratamento, concluir o Ensino Médio e entrar em universidade. Foto: Marcus Mesquita/MidiaNews

Apesar das dificuldades, a vendedora registrou o garoto somente em seu nome. Ela contou que não irá procurar o ex-marido e pretende criar João Miguel sem o auxílio do homem.

“Ele nunca mais me procurou, nem para saber se estava tudo bem. Ele deve ver notícias sobre mim e o meu filho, mas nunca mais apareceu. O Miguel não tem um pai, mas tem um monte de padrinhos”, disse.

Planos

Para este ano, além de finalizar o tratamento de radioterapia, Leidiane quer concluir o terceiro ano do Ensino Médio, pois ela parou de estudar no segundo ano. Futuramente, ela quer entrar para uma faculdade.

“Quero fazer algum curso em que eu possa lidar com pessoas, mas ainda estou pensando no que irei fazer”, disse.

Em sua nova fase na vida, a jovem contou que não precisa de novas doações, pois conseguiu estoque suficiente de leite Nan, que era o item principal de suas solicitações.

“O que mais me preocupava era o leite, pois não poderia amamentá-lo, mas ganhamos muitas doações. Agora, a ajuda que eu recebo é a amizade das pessoas”, comemorou.

Em meio a tantos contratempos e mantendo o sorriso no rosto, Leidiane contou que a força para seguir em frente veio de si mesma e de quem estava ao seu redor.

“Em primeiro lugar, minha força vem de Deus, depois da minha família e do meu namorado. As pessoas que me ajudaram também me deram muita força”, declarou.

Fonte: MidiaNews