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Comer tem hora certa: fazer refeições muito tarde gera maior risco de obesidade e doenças

publicado em 5 de junho de 2019

Nutricionista discute o conceito de crononutrição, segundo o qual o horário de se alimentar é tão importante quanto a quantidade e o tipo de alimento ingerido.

Em artigo escrito na Revista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), a nutricionista Juliana Saldanha fala sobre a importância de estudos da crononutrição. A especialista explica que, para o controle de peso, tão importante como o que e o quanto um indivíduo come, é quando ele come. O horário das refeições pode ter impacto na saúde e em doenças como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

A cronobiologia estuda os ritmos biológicos, busca analisar interações entre o ciclo circadiano (período de 24 horas), a nutrição, o metabolismo e a saúde. Pesquisas vêm mostrando que as calorias ingeridas terão impacto diferente no balanço energético e até no emagrecimento, comparando o período da manhã com o período da noite.

No cérebro, há uma região conhecida como Núcleo Supraquiasmático (NSQ) do Hipotálamo, o relógio-mestre do corpo. É regulada pelos ciclos externos de luz e escuridão.

O NSQ regula os ritmos circadianos da alimentação, sono-vigília, memória, aprendizado, metabolismo da glicose, secreção de hormônios, pressão arterial e temperatura corporal, entre outros. É o regulador mestre, agindo como um grande cronômetro.

Juliana Saldanha explica que existem também os relógios periféricos ou “genes relógios”, presentes em vários tecidos (fígados, rins, pâncreas, coração, tecido adiposo…), que servem para controlar o tempo dos processos biológicos e fisiológicos do organismo. Regulam o tempo de digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes; a regulação hormonal e metabólica; o comportamento alimentar; o desempenho no exercício físico. Todo esse controle vai influenciar o comportamento alimentar, as escolhas dos alimentos, o tamanho das porções e ter impacto no metabolismo basal, efeito térmico dos alimentos e no exercício físico.

Na guerra do controle de peso, além de regular as calorias ingeridas (criar um déficit energético), pesquisas da crononutrição apontam que a hora em que a pessoa come influencia no balanço energético e na saúde cardiometabólica.

Os seres humanos são animais diurnos, o ciclo da luz estimula a vigília e a alimentação. Ao escurecer, iniciamos período de sono e jejum.

Inúmeros processos metabólicos que ocorrem após a alimentação apresentam variação ao longo do dia. Na parte da manhã, observa-se maior aceleração do esvaziamento gástrico (o estômago se esvazia mais lentamente à noite), aumento da absorção intestinal, maior tolerância à glicose, aumento do gasto energético, aumento do efeito térmico do alimento (digestão, absorção).

Estudos mostram que pular o desjejum e comer muito tarde são ações associadas a maior risco de obesidade e complicações de saúde decorrentes do peso excessivo.

Mais estudos são necessários na área da crononutrição, mas tudo indica que distribuir melhor a alimentação ao longo do dia parece ser benéfico para saúde e controle do peso.

Fonte: Globo Esporte