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Câncer de próstata: prevenção é chave para evitar diagnóstico tardio

publicado em 28 de novembro de 2017

Novembro é mês de conscientização sobre a saúde do homem, em especial os cuidados para prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata. Um dado alarmante da última pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), aponta que 20% dos portadores da doença são diagnosticados em estágios avançados, fator que dificulta (e muito) as chances de cura do tumor.

A evolução desse câncer normalmente é lenta, e pode levar até 15 anos para atingir um grama. Na maioria dos casos, o homem também não apresenta sintomas. Porém, alguns tumores crescem de forma rápida, podendo se espalhar para outros órgãos e por isso a importância da investigação.  Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, esse é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens, com estimativa de 61 mil novos casos por ano e mais de 13 mil mortes – entre 2016 e 2017, a doença teve mais de 61 mil novos casos estimados pelo órgão. A doença é a mais comum entre os homens que já passaram dos 50 anos, e mata um brasileiro a cada meia hora.

Diferente das mulheres, os homens não têm hábito de ir ao médico regularmente. Enquanto a mãe leva a filha ao ginecologista periodicamente, um dos motivos que eleva de 7 a 10 a expectativa de vida do sexo feminino em relação ao masculino, o pai não tem o costume de acompanhar o filho ao urologista. Além dessa falta de costume, existe o preconceito em torno do exame de toque retal pelos homens,  que acabam postergando a visita ao especialista – sendo que o primeiro exame feito quando o paciente vai na idade recomendada ao especialista é o PSA, a partir da amostra de sangue. Por isso a campanha é extremamente importante para desmistificar o tema, reforçar o check up regular e divulgar informações sobre o câncer de próstata, levando mais homens ao consultório médico.

Recomendações sobre o diagnóstico precoce 

Investigação

No Brasil, a recomendação é que homens com risco médio para o câncer de próstata comecem o rastreamento a partir dos 50 anos. Aqueles com alto risco, como os que têm um parente de primeiro grau com diagnóstico antes dos 65 anos, devem começar aos 45 anos. Em alguns casos específicos, quando o médico avalia que o risco é ainda maior, como quem possui caso de parente de primeiro grau com câncer de próstata em idade precoce, pode ser recomendado o rastreio a partir dos 40 anos.

PSA

Atualmente, a dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico) é o exame indicado para rastreio do câncer de próstata. “Normalmente ele é recomendado que seja feito uma vez ao ano. O resultado costuma ser mais alto na presença de alterações na próstata, como tumores de próstata”, explica o patologista clínico Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico. A vantagem deste exame é que ele é realizado em amostra de sangue e consegue diagnosticar essas alterações muito precocemente. “Mas é importante ressaltar que um PSA alterado não quer necessariamente dizer que a pessoa está com câncer na próstata, por isso a avaliação médica é fundamental”, destaca o especialista. O toque retal também pode ser realizado como parte do rastreamento.

Ressonância Magnética (RM) 

Outro exame que vem ganhando destaque para o diagnóstico auxiliar do câncer de próstata é a ressonância magnética, através de um protocolo chamado avaliação multiparamétrica. Com as imagens obtidas pelo exame é possível realizar a avaliação estrutural da próstata e identificar possíveis áreas de aumento ou distorções na anatomia da glândula, assim como detectar locais de maior celularidade, aspectos que ajudam na caracterização de focos do câncer de próstata. Também é possível fazer um comparativo das imagens antes e após a administração intravenosa de contraste (gadolíneo). “Esse conjunto de achados com base nas diferentes imagens contribui na diferenciação, de forma mais precisa, entre tecido sadio e doente”, destaca Antonio Siciliano, responsável técnico de Diagnóstico por Imagem do Richet Medicina & Diagnóstico e especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR). Outra função da ressonância magnética é a de poder acompanhar a progressão ou regressão do tumor. Com a evolução tecnológica dos equipamentos, hoje é possível realizar o exame sem a necessidade de bobinas endorretais, acessórios utilizados em exames mais antigos para facilitar a detecção do tumor, e que geravam desconforto ao paciente.

PCA3  É um simples exame feito a partir da urina, e consegue identificar proteínas cancerosas produzidas pela próstata. Ele é o principal aliado para descartar a dúvida sobre necessidade de biópsia nos pacientes. Helio Magarinos Torres Filho destaca que atualmente o PCA3 é o método mais moderno para diagnóstico do câncer de próstata, o sexto tipo mais comum de câncer no Brasil e o segundo mais frequente em homens, após os tumores de pele, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

P2PSA

Representa o que há de mais novo em termos de diagnóstico do câncer de próstata. Recém chegado ao país é mais específico que o PSA, e serve para auxiliar o médico em caso de dúvidas frente a um resultado de PSA alterado, diminuindo o número de biópsias desnecessárias. O procedimento, que é válido para valores de PSA total entre 2 e 10 ng/mL, consiste na medição de 3 índices: o P2PSA + PSA livre + PSA Total, através de uma fórmula matemática para calcular o Índice de Saúde da Próstata (phi). “O índice indica a probabilidade de um indivíduo desenvolver o câncer de próstata. Isso permite chegar a um resultado personalizado com avaliação do risco individual de câncer da próstata”, explica Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico. Através da pontuação do phi é que o especialista obtém informações mais precisas sobre o real significado de um PSA elevado e a probabilidade de encontrar (de fato) um câncer de próstata. Se o número for abaixo de 20.9, o risco de câncer de próstata é baixo; se for acima de 40, o risco é alto e o médico pode solicitar uma biópsia para confirmar ou descartar o câncer de próstata. “Os resultados devem ser interpretados levando-se em conta a história clínica e exames adicionais, tais como toque retal”, ressalta Helio Magarinos Torres Filho.

Fonte: Jornal do Brasil