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Após tratamento, mulheres com câncer de mama podem engravidar

publicado em 25 de julho de 2017

Estudo também revelou que a gravidez e a amamentação surtem efeitos protetivos contra o reaparecimento da doença.

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo, sendo mais comum entre as mulheres, com 22% de casos novos registrados por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia. Mesmo que a faixa de maior incidência da doença esteja no período da pós-menopausa, isto é, depois dos cinquenta anos, o número de mulheres diagnosticadas mais precocemente aumentou significativamente.

“Comparando com as últimas quatro décadas, o percentual de câncer de mama em mulheres mais novas subiu 15% devido não somente a questões genéticas, mas também ao estresse causado pelo estilo de vida da maioria das mulheres que possuem dupla, tripla, e às vezes quádrupla jornada, além da má alimentação”, explica o mastologista e ginecologista oncológico do Hospital Albert Einstein e diretor do setor de mastologia e oncologia feminina do Centro Clínico Campinas, Dr. José Carlos Torres.

Muitas mulheres nessa faixa etária se amedrontam diante do diagnóstico de câncer de mama, o que é natural, visto a gravidade da doença. Entretanto, quando descoberto em seu estágio inicial, as chances de cura são de 95%, de acordo com estatísticas divulgadas pela Sociedade Brasileira de Mastologia.

A gravidez protege

Outra boa notícia, recebida com bastante animação pela comunidade médica, diz respeito à possibilidade de engravidar de mulheres que já tiveram a doença e passaram pelo tratamento. Além de recomendado, o processo de gerar um bebê também diminui os riscos de reaparecimento do câncer, conforme mostra um estudo publicado pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). “Quando a mulher engravida, a produção de progesterona aumenta significativamente e ela para de produzir estrogênio para que o ovário não ovule, essa é uma das medidas protetivas contra o reparecimento. A amamentação também surte um efeito protetivo através do amadurecimento do tecido das mamas”, conta o especialista em reprodução humana e oncofertilidade, Dr. Giuliano Bedoschi.

O Dr. Torres ainda reforça a importância do estudo e explica seu papel na mudança positiva de mentalidade dos profissionais da área: “Nós tínhamos um conceito totalmente oposto dez anos atrás, tanto é que o mastologista desaconselhava a gravidez para mulheres diagnosticadas com o câncer de mama pois achava que isso poderia aumentar as chances da doença voltar. Entretanto, foi mostrado justamente o contrário. O ambiente gestacional é muito bom no ponto de vista da diminuição de riscos.”

A pesquisa analisou uma amostra de 1.207 pacientes com idades inferiores a 50 anos por uma década, todas diagnosticadas com câncer de mama não-metastático, ou seja, o tipo em que as células cancerígenas ainda não tinham se espalhado para outros órgãos do corpo. Ao todo, 333 participantes conseguiram engravidar, o que corresponde a 28% do total. 57% da população avaliada durante o estudo possuía um tumor RE-positivo, ou seja, neste caso, as células cancerígenas são receptoras de estrogênio e se proliferam em resposta ao hormônio.

Fonte: Cláudia