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Aos 93 anos, Dona Elisa segue ajudando a Apor e recebe carta de agradecimento por sua dedicação cheia de doçura

publicado em 20 de fevereiro de 2019

 

 

Era 2018, Elisângela de Oliveira, administradora da Apor na Ala Oncológica, recebeu uma visita especial. Com seu vestido florido, Dona Elisa Soares da Silva, na época com 92 anos,  chegou para entregar sua doação. “Ela veio andando devagarzinho, toda arrumadinha e perfumada. Nós ficamos encantadas com ela”, conta Elisângela.

Não era a primeira vez que Dona Elisa fazia sua doação. Antes, o dinheiro reservado todos os meses para ser destinado à Associação dos Pacientes Oncológicos de Rondonópolis era doado por meio dos Cofrinhos espalhados nos comércios da cidade. Mas, no ano passado, ela resolveu chamar um táxi e trazer pessoalmente na Ala Oncológica. Sua doçura e sua história fizeram com que a senhora ficasse amiga de Elisângela e de Fabrícia Moura, psicóloga da Santa Casa que também recebeu dona Elisa. Apesar da amizade daquele dia, nunca mais a viram.

Em 2019, dona Elisa não pôde vir por conta das dificuldades de locomoção. Então, foi até um Posto de Saúde da Família perto da sua casa e pediu para uma atendente ligar na Ala Oncológica. Com a voz baixinha ao telefone, Dona Elisa pediu que alguém pudesse ir buscar sua doação. Foi a atendente que ajudou a passar o endereço para que o responsável fosse até ela. Quando Elisângela e Fabrícia descobriram que era Dona Elisa, abriram o sorriso. “Nossa! Ficamos muito felizes em saber que era ela. Foi bonito demais saber que, mesmo com todas as dificuldades, ela ainda estava preocupada em fazer com que sua doação chegasse ao seu destino”.

Elisângela e Fabrícia resolveram fazer uma carta de agradecimento. Junto à carta, uma camiseta da Apor, comprada pelas meninas, foi enviada para dona Elisa de presente. Com a carta e o presente em mãos, partiu a jornalista em busca da história da senhora de 93 anos. “Que alegria que você veio!”. Foi a frase que dona Elisa soltou ao receber a visita.

“Doação a gente faz sem esperar nada em troca”

Dona Elisa mora sozinha, mas tem passado boa parte dos dias na casa de uma das filhas. A senhora que hoje tem 93 anos nasceu em 19 de janeiro de 1926 em Minas Gerais. Mudou-se para a Bahia com os tios depois que os pais morreram. Lá, cresceu e conheceu seu marido. Vieram para o Mato Grosso e aqui tiveram 9 filhos. Separou-se do marido e tocou a vida. Até receber seu benefício social, há alguns anos, trabalhava com faxinas.

A ideia de começar a fazer doações para o “hospital do câncer”, como ela faz questão de dizer, veio depois de “algumas graças recebidas”. Dona Elisa mostra os calos nos joelhos nascidos das muitas preces diárias. Missionária na igreja que frequenta, gosta de repetir: “Eu fiz um compromisso com Jesus”.

Dona Elisa recebeu a carta de agradecimento com alegria. Quanto à camiseta, agradeceu, mas disse que encaminharia ela a quem precisasse. “Doação a gente faz sem esperar nada em troca”, enfatizou. Em seguida pediu para ler a carta que trazia a seguinte mensagem:

Dona Elisa,

 

De todo nosso coração, nós agradecemos sua doação todos esses anos.

A senhora tem nos ajudado a manter a estrutura para o tratamento oncológico de centenas de pessoas de Rondonópolis e mais 18 cidades.

O apoio a esses pacientes só é possível graças ao carinho de pessoas como a senhora.

Que Deus te abençoe hoje e sempre.

Com carinho,

Elisângela, Fabrícia e Lilian

Apor

Enquanto a carta era lida, dona Elisa repetia “Glória a Deus! É isso mesmo!”. Ao se despedir, com alegria pediu para deixar escrito: “Enquanto eu puder, falar e andar, eu vou ajudar. Que Deus abençoe vocês!”.

Que assim seja, Dona Elisa!

 

Texto e foto por Lilian Martins.