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A volta das doenças do passado. Como se proteger?

publicado em 3 de setembro de 2018

O câncer é uma doença que ocorre pelo crescimento e multiplicação descontrolada das nossas próprias células. O processo para que uma célula normal se torne uma cancerígena é longo e ocorre pelo acúmulo de erros no DNA, ou seja, o material genético onde estão todas as informações das nossas células.

Dependendo do estilo e hábitos de vida de cada pessoa, os acúmulos de erros podem ser mais ou menos intensos. Maus hábitos, como fumar, aumentam consideravelmente o número de incorreções. No caso do tabaco eles se acumulam principalmente nas células do pulmão e demais locais do corpo que entram em contato com as toxinas do cigarro. Estes são conhecidos tecnicamente como mutações.

Outros hábitos como a manutenção de um bom peso, a prática de exercícios e uma dieta balanceada protegem contra o desenvolvimento de câncer. No entanto existe também o componente da aleatoriedade, já que nossas células estão em constante divisão e podem ocorrer erros ao acaso que, ao longo dos anos, podem levar a um câncer mesmo em pessoas que mantêm um estilo de vida saudável.

O sistema imunológico tem papel fundamental no controle das infecções e também desenvolvimento de câncer. As células de defesa são capazes, na maioria das vezes, de perceber alguma anomalia no material genético e eliminam as defeituosas, antes que possam se tornar ocasionar a doença no futuro.

Apesar disso, existem mutações que fazem com que a célula que está adquirindo o comportamento cancerígeno se torne “invisível” para as de defesa. Esta evasão do sistema imunológico é uma das principais características das cancerígenas.

Para que um tumor cresça, as células precisam ser capazes de escapar do controle do sistema imunológico. O conhecimento deste mecanismo permitiu aos médicos e cientistas começarem a explorar maneiras de fazer o sistema imunológico de cada pessoa voltar a enxergar onde as células cancerígenas estão.

História do tratamento contra o câncer

Desde o começo do século XX foram tentados diversos tratamentos com vacinas e a administração de toxinas de bactérias, com o objetivo de “acordar” a imunidade, mas infelizmente isto não foi muito bem sucedido naquele momento. A partir da década de 1970 a ciência descobre como as células de defesa “conversam” entre si: através da liberação de substâncias como os interferons e interleucinas.

A partir daí diversos tratamentos são propostos com essas substâncias, o que produz algum resultado. No entanto, este tratamento só funcionava numa minoria das pessoas, e tinha muitos efeitos colaterais. A sensação defebre e mal estar que temos quando estamos com uma infecção bacteriana ou viral ocorre, em sua grande parte, pela liberação dessas substâncias no sangue. Logo, durante o tratamento, a pessoa se sente constantemente doente.

A partir do início do século XXI começamos a identificar quais são os “botões de liga e desliga” presentes nas células imunológicas. Entendemos também como o tumor consegue fugir do sistema de defesa e como ele consegue desligar a célula imunológica que por ventura possa chegar para atacá-lo. Num primeiro momento os medicamentos foram criados para aumentar a efetividade do sistema imunológico em identificar o tumor, estes remédios são conhecidos como inibidores de CTLA-4.

Estes medicamentos são anticorpos que se ligam no linfócito T, o general da defesa do nosso organismo. Esta ligação “desperta” essa célula e a faz mais sensível no reconhecimento de substâncias de agentes estranhos ao corpo. Quando a célula dendrítica, uma espécie de vigilante do corpo, reconhece alguma parte do tumor, ela a leva até o linfócito T e mostra essa alteração para ele.

Fonte: Minha Vida